domingo, 10 de março de 2019

Kandinsky e a poesia I/ Poemas sem palavras.



1- Stichi bez slov ( Poemas sem palavras), publicadas em Moscou em 1903.


A- LINKS

Link: https://www.moma.org/collection/works/71433

https://monoskop.org/images/5/5b/Kandinsky_Stikhi_bez_slov_1903.pdf

https://www.moma.org/s/ge/collection_ge/objbyppib/objbyppib_ppib-12_sov_page-5.html


B- DESCRIÇÃO

É composto por 15 xilogravuras (12 + 1 de capa, 1 de índice, uma extra) em um fundo preto de papel cartão.

Em ordem título das xilogravuras:





1- Capa com Título e autor ( V. Kandinsksy. Poemas sem Palavras)



2- Índice

3- (1) Reno



4- (2)Entardecer



5- (3) Rosas



6- (4) Lago da Montanha


7- (5) Espectadores



8- (6) Velho Vilarejo



9- (7) O dragão


10- (8) Burburinho



11- (9) Proscênio{Saída}


12-  (10) Noite


13-  (11) Combate



14-  (12) A Caça


15- (13) {Extra, sem título}



Kandinksy  publicou um catálogo de novas xilografias em 1909/1010, compreendendo materiais realizados em 1907. O catálogo chama-se Xilografias e foi publicado pela revista de arte
Les Tendances nouvelles, em Paris.  Este material compreende 8 xilogravuras:
1- Capa
2- Índice
3- Les Chevaliers ( Os vavaleiros)
4- Les Oiseaux (Os pássaros)
5- L'Église ( A Igreja)
6- Les Bouleaux ( Vidoeiros/ Bétulas)
7- Les Femmes aux Bois ( As Mulheres entre as árvores)
8- Contracapa.




D_ Bibliografia:


Friedel, Helmut, and Annegret Hoberg, eds. Kandinsky: Das druckgrafische Werk/The Complete Prints. Exh. cat. Munich: Städtische Galerie im Lenbachhaus und Kunstbau, 2008.

Roethel, Hans K. Kandinsky: Das graphische Werk. Cologne: DuMont, 1970.



Nadia Podzemskaia, Colore, simbolo, immagine: origine della teoria di Kandinsky
Ainda, sobre o tema:

Dematerializing Verbal and Visual Matter. Wassily Kandinsky's Bitextuality”, inThe Aesthetics of Matter. Modernism, the Avant-Garde and Material Exchange = European Avant-Garde and Modernism Studies, Vol. 3, eds. S. Bru and P. Nicholls, Berlin-New-York, Walter de Gruyter, 2013, pp. 94-106. ISBN 978-3-11-031737-4.


The Interartistic Concept in Kandinsky’s Paintings. The Image/Text problem.
Vassilena Kolarova


Link: http://cf.hum.uva.nl/narratology/issue004_index.html








sábado, 9 de março de 2019

escrita e outros pensamentos

Já algum tempo venho pensando nessa relação de Kandinsky como multiartista e a escrita.
Afinal, de contas, ele é um pesquisador com formação acadêmica, formação essa que se expressa em publicações e texto.
Nas primeiras décadas do século XX, vemos Kandinksy envolvido com artes gráficas, pintura, desenho, pintura em vidro, música, poesia, teatro e dança.  O que atravessa tais modalidades é um tipo de registro/produção de experiência - a escrita.

No livro
Symbolist Aesthetics and Early Abstract Art: Sites of Imaginary Space, de  Dee Reynolds ( Cambridge University Press, 1995.), temos o seguinte:
uma ambiguidade entre imagens figurativas e signos abstratos.


quinta-feira, 7 de março de 2019

Composition IX

Seguindo a tabela

Faixa amarela-laranja: trompete e violas(laranja) 1- 13,5(ponto 0)
Faixa azul-verde: Cello, flautas, e um pouco de violino (verde) 19,4(ponto )
Faixa laranja -vermelho 18,3 (ponto 05=6) Trombones/trompas/ Carrilhão de Orquestra
Faixa vinho-púrpura:  13,3(ponto 10=11) Viola, contra-fagote.
Faixa laranja claro-escuro: 18,2 ( ponto 15=16). Piano em registro médio.
Faixa Verde Claro: Violinos(frequência média)

Acordeão

Introduzindo o acordeão como instrumento típico da Composição 9.
Depois do trabalho com Composição VIII, a terceira a ser elaborada, resolvi introduzir um novo instrumento em cada obra.
Como estamos em Paris, resolvi inseri a sonoridade do Acordeão.

Entre as músicas de estudo, ouvir a Canzone, de  Hans Abrahamsen  Link:https://www.youtube.com/watch?v=LWP8Fwnx14A

a-trillos são bem vindos
b- acordes graves em sucessão
c- staccatos cordais,  melodias em staccato.
d- alternâncias das mãos esquerda/direita (graves/agudos)
5- tremolos
6- notas rápidas em escalas ascendentes.
7- polifonias com as mãos alternadas.
8-sustentação de dissonâncias em região média, dando uma sustentação de tempo/espaço


Essa sustentação de nota é uma marca. 

sexta-feira, 1 de março de 2019

COmposição IX início

Depois de toda essa preparação, comecei a música.
Me senti motivado pela ideia de dissonância extrema, ou seja tensões entre sétimas maiores, ou segundas menores.
Estou compondo seguido o quadro, compasso a compasso, como se o repintasse com sons.
Está interessante o processo - com os ouvidos e com os olhos.
De fato, a relação entre os números na tela, e os números na partitura, mesmo sendo arbitrários, promovem uma desafio multissensorial.
Abaixo os primeiros oito 'compassos' da pintura.
Primeiro elaborei o som para a figura amarela no compasso 1. Logo no compasso 2 e até o tré me surge no algo essa mancha-círculo, cujas cores se ligam ao corne inglês. Não esquecer que embaixo já surge a faixa azul. Todas as faixas serão acordes em glissandi. Aí já entra a monstruosa figura da caixa com rabo e um feto dentro. A decifrar.
Uma coisa é certa, os sons de fundo, triângulos e faixas, vem com uma menor intensidade.


Composição IX e réguas no Photoshop



Usando a régua do Photoshop, temos que o quadro vai de 0 a 33,02 {34,2} na horizontal, e 0 a 19,02 {20,02) na vertical.

1- A área amarela inicial vai de 0 a 14,4. {13,4)
2- A faixa um vai de 14,4 a 19,4 (4,8)
3- A faixa dois vai de 19,4 a 24,3 (4,7)
4- A faixa três 24,3 a 29,2 (4,5)
5- A faixa quatro 29,2 a 34,2 (4,4)
6- A área verde clara, com a imagem invertida,  vai 15,03 a 34,02 (11,5)


Como  composição IX é a menor de todas, a duração de seu arquivo de som será o menor.
Segundo os dados abaixo, a Comp. IX se aproximaria de Comp X, ficando pois na casa dos 3 min.

Se for assim temos algumas proporções para entender a duração das áreas/acordes de background. A música se articularia, em um de seus níveis, na sucessão dessas áreas acordes.
 Há várias soluções possíveis, mas a que vai ser adotada aqui será a distribuir a música em 180 segundo a partir de compassos de 6 tempos. Isso vai dar 30 compassos de seis tempos. O conjunto de 30 compassos se aproxima do total de 34 conjuntos de 10 centímetros da régua do fotoshop. Como temos algumas assimetrias (diferentes tamanhos das áreas amarela e verde, e diminuição progressiva das faixas, podemos inserir compassos nesses espaços de passagem e coordernar a relação tempo/espaço.

Importante notar a aceleração nas faixas em virturde de sua diminuição de tamanho.
E ainda em à área amarela vai crescendo em sentido horizontal, no tempo e no eixo vertical, nas frequências. Ou seja a música começa começa e segue com o som da área amarela ficando mais agudo e em crescendo.




Obra
Ano
Cidade
Dimensões
Status
Duração Audiocena
I
1910
Munique/Murnau
?
Destruída
3.min, 30s.
II
1910
Munique/Murnau
200 x 275 cm
Destruída
3min, 35s.
III
1910
Munique/Murnau
190 x 250cm
Destruída
3 min, 14s.
IV
1911
Munique/Murnau
159.5 × 250.5 cm

Dusseldorf, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen

5min, 29s.
V
1911
Munique/Murnau
190.0 x 275.0 cm

Coleção Privada
3min, 42s.
VI
1913
Munique/Murnau
195.0 × 300.0 cm
São Petersburgo, Museu Hermitage
5min, 04s.
VII
1913
Munique/Murnau
200.0 × 300.0 cm
Moscou, Galeria Estatal Tretiakov

VIII
1923
Dassau
140.0 × 201.0 cm
Nova York, Museu Solomon Guggenheim
3min, 26s.

IX
1936
Paris
113.5 × 195.0 cm
Paris, Centro Georges Pompidou

X
1939
Paris
130.0 × 195.0 cm
Dusseldorf, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen

3min, 18s

DIssonâncias cromáticas em Composição IX

Uma das questões percebidas nas análises de Composição IX é o da dissonância cromática :
"Whatever concerns about chromatic dissonance Kandinsky had been harboring in 1934, he clearly set them aside two years later for the making of Composition IX (Figure 46 / Plate 21). The color combinations in that work—delicate pastels placed alongside black and various highly saturated hues—are exceptionally jarring, perhaps more so than in any other composition by the artist. Even in comparison with the opposed primaries of his early paintings, the contrasts here register as highly dissonant, the extreme disparities in saturation and value clashing far more than equally weighted primaries ever could."Lisa Florman Concerning the Spiritual... p. 134.  
Temos pois dissonâncias cromáticas extremas, que seriam respondidas por dissonâncias musicais extremas. "

Lembra a tabela do artigo de Neda Kolic:



 e
Pelo  espectro acima, temos que 

1- o primeiro triângulo opera com acordes relacionados aos naipes de metais, especialmente trompetes, podendo acrescentar percussão com altura definida (Bells) e violas. 
2- a primeira faixa diagonal opera com variações de azul, misturada a verde, que são de  violino em frequência média. Podemos começar com esse verde violino médio, depois acrescentando acima das cordas as flautas. 
3- a segunda faixa parte de uma mistura de laranja com vermelho para ir vicando mais vermelho até chegar a um vermelho mais escuro. Temos aqui três mudança. novamente tempos percurssao, violas trompete tubas e cello. 
4- a terceira faixa temos variações de vermelho: bordô e Borgonha. Temos uma semelhança com a faixa anterior, mas com mudanças de matiz, saturação e intensidade. Há pois relação entre as cores das faixas e as cores dentro de cada faixa.  Há um pouco de violeta por aqui...
5- A quarta faixa vai do laranja mais claro ao mais escurso. 
6- Ao fim temos o triângulo verde claro com bordas ligeiramente amareladas. violino com trumpete.


Essa é uma questão. Essas grandes áreas, que se tornam o background da tela, são atravessadas por figuras. Assim teríamos que ver a sucessão da esquerda para a direita do background e  irrupção das figuas com suas cores também.
Antes,  como o background de triágulos e faixas é mais estável, pode-se dele constituir uma ordem temporal, dividindo primeiramente a tela nas linhas entre as áreas dos triângulos e faixas. Tal ordem induz à minutagem dos eventos que se sucedem e a proporção de sua presença (duração). Como em um palco, agentes vão entrar e sair do palco. COmo em uma música, instrumentos vão sair e entrar.
Outra característica possível dessa ordem temporal horizontal é sua contrapartida vertical, que posiciona e distribui os elementos podendo tomar como parâmetro o arco crescente de frequências.
Como nas vemos que as faixas diagonais se articulam de baixo para cima em uma mudança de valor (mais luminosidade, etc). podemos adotar a correlação entre crescente na cor e o crescente na frequência do som. 

Lembrar que Kandinsky havia trabalhado inversamente com isso ao discutir o plano básico ou fundamental, como momento de pré-composição em que se explora decisões criativas a partir da geometria mesma da própria moldura do quadro.

Outra tabela semelhante é o Spectrotone, desenvolvido por Arthur Lange em 1943 e retomado por Peter Lawrence em 2012.